quarta-feira, junho 25, 2008

Utopia, 15:45 - [2.º Acto]

Ela acompanhou-o apenas até à primeira sala, onde estavam as fotografias de edifícios feitos de arroz, esparguete e tagliatelle. Não podia abandonar a entrada...

- Claro, compreendo. Responsabilidade é responsabilidade.
- Pois. E eu preciso disto.
- Mas posso deixar-te uma coisa para não ficares sozinha?
- Sim, podes. Queres que te guarde essa carteira? Claro que o faço!
- Não... Não é nada disso. Podes não acreditar no que te vou dizer -acho mesmo normal que não acredites, porque te vai parecer coincidência a mais-, mas a primeira música que ouvi quando vinha para cá, foi essa. E comecei a pensar no significa o título. Bem... duzentos quilómetros deu para pensar bastante. Deu até para escrever. E era isso que te queria deixar. Apesar de tudo é um pedacito deste pateta que te fica a fazer companhia.

Chamar-se a ele próprio de pateta serviu, como imaginam, para arrancar um sorriso dela. Belíssimo. Radiante.
Então pegou no moliskine preto que lhe tinham oferecido no aniversário, abriu-o numa página com o título Se ele fosse um gato e deu-lho.

- Escrevi isso por causa dessa canção. Agora, como não me podes acompanhar, vou até lá ao fundo ver afinal o que é esta utopia.
- Eu ia. A sério que ia...
- Deixa-te ficar. Mas, por favor, lê... gostava de ter uma opinião tua.

Ela começou ler:
...felizmente, como qualquer outra forma de arte, a vida presta-se a interpretações ambíguas. Sem muito esforço, o contrário do que sentimos, dizemos e fazemos é, também, verdade.




2 comentários:

Duarte disse...

Que complexo é o viver, parafraseando...
Não nos podemos meter numa ilha se reclamamos reciprocidade.
É elegante deixar que a mulher ganhe. É um deleite ver que se sente mais segura do seu êxito, essas imperceptíveis ajudinhas dão mérito a quem as faz.

Reconhecido

Juani disse...

habra un tercer acto?, que pases un feliz fin de semana
saluditos