A última viagem que ele fez não tinha Utopia como destino, mas uma cidade à qual dificilmente resistimos no que as paixões da alma diz respeito.
Como se sabe, em Utopia todas as cidades se repetem: quem vê uma, viu todas.
Esta onde ele foi, como todas as outras, é única.
Mas por uma razão que só o acaso explica, ele acabou o dia numa Utopia.
Ela estava à entrada, sentada numa cadeira alta, vigilante e elegante.
Quando ele entrou, o contador que ela tinha na mão disparou mais uma vez.
- Com que número fui contemplado?
- Três!
- Só entraram 3 pessoas aqui?
- Hoje, sim.
- Queres que entre e saia muitas vezes para atingires um recorde?
- Não... isso era batota!
- Óptimo. Ainda bem que é batota. Vamos a isso.
O contador disparou umas quatro vezes seguidas e a boa disposição que se gerou entre eles transformou em sorrisos todas as fotografias que estavam penduradas nas paredes brancas e o silêncio, em risos.
Só faltava o Sol para reforçar com sombras o brilho dos olhos deles. Mas numa cave... só se um deles se transformasse num Sol...
- Anda comigo.
- Não posso. Estou presa a esta cadeira a contar pessoas.
- Anda.
Foi.
- O que estás a ouvir?
- A música que estou a ouvir?
- Sim. Qual é?
- Neste momento, "Where is my love".
- Cat Power.
- Sim.
sábado, junho 21, 2008
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3 comentários:
Não podia deixar de espreitar! Escreves muito bem...Imaginação não te falta. A tua vida, de facto, é uma metáfora!
aqui estoy de nuevo, y como siempre, me voy con la sastifacion de leer un breve y emocionante y metaforico relato. Me encanta la cancion
saluditos
Tu tens um excelente domínio do dialogo. As palavras fluem a um ritmo crescente que cativa. Cadencia precisa numa criação á flor da pele,
A musica é a apropriada.
Que tenhas um dia feliz.
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