sábado, novembro 15, 2008
O menino balão em forma de coração
O menino balão em forma de coração vivia no ar, amarrado por cordas brancas elásticas e aveludas aos seus amigos que passeavam pela Terra.
Certo dia fartou-se de ser puxado para um e para outro lado e começou a cortar as cordas, decidindo-se apenas por um amigo.
Ontem, quando cortou a penúltima corda, voou com o amigo eleito pelo céu fora.
Certo dia fartou-se de ser puxado para um e para outro lado e começou a cortar as cordas, decidindo-se apenas por um amigo.
Ontem, quando cortou a penúltima corda, voou com o amigo eleito pelo céu fora.
quarta-feira, outubro 01, 2008
Doce doze
Ele voltou passados doze dias.
Não me contou até agora o que fez durante esse tempo.
Mas sinto-o mudado.
Sempre pensei que se olhasse de uma certa maneira para os seus olhos, ia conseguir ouvir o que dizia aquela alma. Falar-lhe directamente com a minha.
Substituir os lábios por uma conversa que nós próprios desconheceríamos.
Certa vez empenhamos-nos seriamente nessa empresa.
Acordámos doze anos depois... e resolvemos então começar a falar.
Não me contou até agora o que fez durante esse tempo.
Mas sinto-o mudado.
Sempre pensei que se olhasse de uma certa maneira para os seus olhos, ia conseguir ouvir o que dizia aquela alma. Falar-lhe directamente com a minha.
Substituir os lábios por uma conversa que nós próprios desconheceríamos.
Certa vez empenhamos-nos seriamente nessa empresa.
Acordámos doze anos depois... e resolvemos então começar a falar.
domingo, setembro 21, 2008
Cidade
Deixei-o ficar onde estava.
Não insisti.
Percebi que ele ia ficar ali o tempo que achava que devia ficar.
Limitei-me a tirar-lhe a flor da mão.
Ele é um símbolo de vida e não fazia sentido estar a amparar uma flor que tinha perdido a sua...
Lancei-me outra vez nas ruas da cidade.
Desta vez sem objectivo.
Apenas vendo-a como objecto de prazer e a descobri-la como objecto do meu projecto.
Eu... que tinha visto até hoje a cidade apenas como um cenário passivo para actores desconhecidos e em número infinito, descobri que tenho em mim uma vontade indómita de a abraçar.
De ser um demiurgo moderado que ama o seu espaço pelo que é e, sobretudo, pelo que pode vir a ser.
Consigo vê-la do céu e do chão ao mesmo tempo.
Misturo os traçados com os ambientes que me envolvem e deixo que sejam os sons a guiar-me.
Os cheiros e as cores também.
Eu vou mudar a cidade que trago em mim.
Não insisti.
Percebi que ele ia ficar ali o tempo que achava que devia ficar.
Limitei-me a tirar-lhe a flor da mão.
Ele é um símbolo de vida e não fazia sentido estar a amparar uma flor que tinha perdido a sua...
Lancei-me outra vez nas ruas da cidade.
Desta vez sem objectivo.
Apenas vendo-a como objecto de prazer e a descobri-la como objecto do meu projecto.
Eu... que tinha visto até hoje a cidade apenas como um cenário passivo para actores desconhecidos e em número infinito, descobri que tenho em mim uma vontade indómita de a abraçar.
De ser um demiurgo moderado que ama o seu espaço pelo que é e, sobretudo, pelo que pode vir a ser.
Consigo vê-la do céu e do chão ao mesmo tempo.
Misturo os traçados com os ambientes que me envolvem e deixo que sejam os sons a guiar-me.
Os cheiros e as cores também.
Eu vou mudar a cidade que trago em mim.
quinta-feira, setembro 18, 2008
A última vez que o perdi
Perdi-o.
Consegui acompanhá-lo durante todo o dia.
Sempre à distância.
Acabei por conhecer uma cidade que não conhecia e deixei-me encantar por ela.
Um encantamento que me custa agora uma dor sem perdão.
Perdi-o no final de tarde buliçoso da cidade e passei o resto do dia e da noite à procura dele.
Finalmente encontrei-o.
Sentado no chão, encostado a um muro a segurar uma flor gigante.
Já sem vida.
Consegui acompanhá-lo durante todo o dia.
Sempre à distância.
Acabei por conhecer uma cidade que não conhecia e deixei-me encantar por ela.
Um encantamento que me custa agora uma dor sem perdão.
Perdi-o no final de tarde buliçoso da cidade e passei o resto do dia e da noite à procura dele.
Finalmente encontrei-o.
Sentado no chão, encostado a um muro a segurar uma flor gigante.
Já sem vida.
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