Imagens, medos, memórias, percepções, sonhos, intuições, estados de espírito, emoções... Este espaço é daqueles que como nós são um pouco loucos e sentem que a vida é um achado.
Voltaram juntos à praia dos livros de areia. Estava diferente outra vez. Só o Sol era o mesmo, embora brilhasse de forma diferente. Os livros eram gigantes e já não tinham apenas uma letra: tinham histórias completas, com capítulos infindáveis. Do tamanho das vidas de quem os escreveu. Sentaram-se num livro com capas de pedra branca e estiveram horas a olhar para o mar... mas faltava-lhe a água. Mais parecia que tinham uma paisagem urbana formada por enormes rochas em forma de edifícios. Cada uma podia ser a metáfora de um qualquer tipo de edifício. A mais alta, uma igreja. Aquelas mais juntas e alinhadas, casas. Aquela mais próxima, informe, um qualquer monumento ou museu. Esperaram que o Sol baixasse para que as sombras das rochas se agigantassem. Quando ele sentiu que elas já eram do tamanho daquilo que o ensombra, começou a escrever com as suas lágrimas um título na capa do livro onde se tinham sentado, mas ela interrompeu-o. Achou que deviam usar um escopro para que esse título ficasse gravado de forma indelével. - Mas se o escrever-mos com as minhas lágrimas, fica igualmente gravado na nossa memória... - Se o escrevermos com um abraço, também. - Seja.