Ele foi então ver sozinho que utopia era aquela.
Sala após sala, muitas imagens se esforçavam por mostrar algo de irreal mas, afinal de contas, tudo o que mostravam era pouco mais do que a realidade.
Todos nós sabemos que a "utopia" é o "lugar" que os artistas -arquitectos incluídos- mais apreciam para realizar as suas ideias. No entanto, sala após sala, não havia mais do que registos de tudo quanto nos envolve nas nossas cidades, o que se tornou num bom pretexto para que os passos dele fossem dados ao ritmo certo do tempo da leitura de um pequeno texto.
Estranha, era a primeira sala, com os edifícios de arroz, esparguete e tagliatelle.
Estranho, também, foi que numa das salas estava uma mota em modo de descanso.
Parecia estar ali para dar uma certa tonalidade àquele contexto. Talvez para nos chamar à realidade e fazer com que as imagens ali penduradas conseguissem ter algum estatuto de irrealidade.
A verdade é que a mota passou a persegui-lo durante o resto da visita, obrigando-o a acelerar o passo: ela estava a chegar ao fim do texto.
Quando ele voltou ao corredor principal, enorme, ela estava no outro extremo a fechar o moleskine.
A vontade de chegar perto dela o mais rápido possível era tanta, que quase montou a mota...
Mas eles dividiram o trajecto.
E a mota ficou sossegada.
Aliás, voltou para a sua sala.
- Gostei muito do texto. Sinceramente. Faz-nos pensar em muitas coisas. Mas a rapariga de que falas aqui não sou eu! É pena!
- No teu lugar, não estava tão seguro disso... Mas percebeste o que é que ele tem a ver com a música?
- Sim. Quer dizer... Acho que sim. Não tem nada de extraordinário! No fundo, queres dizer , como dizem os artistas, que nós não temos de procurar, mas apenas "encontrar". Que essa história do amor está mais dentro de nós, do que fora de nós.
- Bem... não imaginas como fico contente por teres percebido exactamente o que eu queria dizer com isso...
- E eu fico contente por ti! E mais, sei que também queres dizer que para quem procura essa coisa do amor, a resposta não está só numa pessoas, ou até, em pessoas...
- Bem. Agora, como se costuma dizer, fiquei sem palavras. Só não te dou um abraço porque tenho receio que seja mal interpretado.
- Tolo!
- Não. A sério. É que essa letra que tens desenhada na tua t-shirt parece-me um coração deitado, em repouso. Parece-me um coração que não está a bater tudo o que merece bater. Por isso não me ia sentir bem... Tolices minhas, eu sei. Afinal nem nos conhecemos! Mas parece-me um coração que anda à procura de alguma coisa...
- Mas agora conhecemos.
- Mas agora eu vou embora.
- E eu acompanho-te...... até à saída!
Riram-se os dois da pequena pausa que ela fez e foram juntos até à saída, onde se despediram.
Ela voltou para a cadeira e para o contador.
Ele voltou-se para a saída folheando apressadamente o moleskine para ver se ela tinha escrito alguma coisa. Em vão, claro. Ela não escreveu.
Quando chegou às escadas e voltou a olhar para a cadeira e não a viu, pensou: "loucura, é não fazer determinadas loucuras".
Voltou para trás, entrou na primeira sala, com imagens de edifícios de arroz, esparguete e tagliatelle, onde ela estava com os olhos a marejar de braços abertos à espera do abraço dele.
domingo, junho 29, 2008
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2 comentários:
realmente espero que sea el final, y no se si lo he entendido bien, espero que si. O si no prefiero esta interpretacion
Que bella historia de amor.
saluditos
Um amor à primeira vista!?
Estou de acordo, se não se toma uma iniciativa louca nunca se sabe se esse abraço chega à alma do sujeito, para dar inicio a uma nova vida a dois, bendita loucura!
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