Ontem voltaram à praia dos livros de areia.
Aliás, encontraram-se lá. Ela estava por ali perto e ele foi lá ter.
A água continuava cor-de-laranja como da última vez, mas o areal de livros estava mais colorido. Claro que não o posso garantir, mas creio que havia tantas cores quantas letras tem o alfabeto que eles usam para construir as suas histórias.
Mas esperava-os outras mudanças daquele cenário...
Primeiro, quando decidiram entrar na água, repararam que o mar mudava de cor. Mudava de cor quando ficavam parados; mudava de cor quando nadavam; mudava de cor quando se beijavam; mudava de cor quando falavam apenas com os olhos; mudava de cor quando riam; mudava de cor quando gritavam...
Ele foi o primeiro a sair da água para ver à distância aquele espectáculo, enquanto ela fazia todas as tropelias para a água mudar de cor.
Depois trocaram.
A cor dos olhos dela, claro, acompanhava as mudanças da cor da água.
Se eles tiveram dias felizes juntos, este foi, com toda a certeza, dos melhores.
Quando foram embora, decidiram que o deviam fazer tentando pisar tantos livros amarelos quanto possível.
Foi nessa altura que deram conta de outra mudança no cenário: um casal a trabalhar de modo frenético em cima de uma mesa de madeira.
Como tinha escurecido, não dava para ver o que faziam eles.
Corajosa, ela aproximou-se e perguntou-lhes porque estavam tão atarefados e o que estavam a fazer.
E eles responderam, em uníssono, com uma voz doce e quente: "livros".
quarta-feira, junho 18, 2008
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3 comentários:
Obrigado pela homenagem.
Gosto muito.
Por momentos deixei-me levar pelo mundo de fantasia que tão bem criaste. Já te disse que tens talento, vejo capacidade motivadora.
una vez más quede fascinada con tus escritos, veo que la pausa ha sido corta, me alegro
saluditos
Caro Duarte, agradeço-lhe eu as suas palavras. A homenagem deve-se a si. Não a mim.
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