quinta-feira, março 13, 2008

História banal

Tudo começou de forma inesperada e surpreendente. Um percalço da vida quotidiana daqueles que acontecem uma única vez. A expressão é redundante mas verdadeira: uma única vez. Porque algo assim não acontece, não pode acontecer mais do que uma vez. E portanto essa vez é única em número e em sensações.
É verdade que, mesmo antes de acontecer alguma coisa, alguns pensamentos lhe ocorriam mas, por lhe parecer algo tão improvável e distante, logo os afastava. Por vezes aquele olhar de admiração surgia. Umas vezes salpicado de curiosidade, outras vezes de desejo de um maior conhecimento, sempre com grande vontade de aproximação. No entanto, porque estavam em planos e em mundos diferentes, todas estas ideias eram de imediato banidas, porque inalcançáveis, senão mesmo interditas.
Um dia o encontro deu-se. Um encontro de ideias e de sensações. Mais tarde a percepção de gostos comuns e alguns desafios intelectuais que o acaso fez surgir, aumentou a sensação de ter acontecido algo raro. Um encontro que agora se deseja que ultrapassasse o mundo etéreo das ideias e dos gostos pessoais. (É espantoso, como se consegue estar perto de alguém durante uma vida, sem realmente a ver!)
Sem saber que rumo tomará ou mesmo como terminará este encontro, sabe que nada voltará a ser como antes. A vida tem estes acasos fascinantes, estes acontecimentos, estes (como lhe chamei) “percalços” capazes de modificar a visão do mundo e transformar o sabor a um quotidiano raras vezes interessante. É uma história inacabada, como a de um livro cujo autor receia escrever o final, uma história quase penosa pela ansiedade que gera e pelo prazer que dá. Aguarda novos dias, cujo texto o tempo escreverá.

6 comentários:

Mrs_Noris disse...

Felicidades :)

alex disse...

estes escontros são bonitos. por vezes até parecem desencontros. mas será que o são?
escreves bem. acho que vou voltar.

alex disse...

então sencond_skin? quero mais textos teus! :-(

Duarte disse...

Que vaticinou o tempo passado? As perspectivas são boas, e a narrativa cativa; não me deixes com o aroma, da-me o paladar...

Anónimo disse...

"Um encontro de ideias e de sensações". E foi!

"Mais tarde a percepção de gostos comuns e alguns desafios intelectuais que o acaso fez surgir, aumentou a sensação de ter acontecido algo raro". Afinal a nossa linguagem é tão igual, falamos de forma que só nós entendemos!

"Sem saber que rumo tomará ou mesmo como terminará este encontro, sabe que nada voltará a ser como antes". Sem dúvida alguma, hoje poderei falar que nada será como dantes, os tons da cumplicidade, as cores das gargalhadas e o amor tão solto e emergente, nada fará sentido posteriormente.

"A vida tem estes acasos fascinantes, capazes de modificar a visão do mundo e transformar o sabor a um quotidiano raras vezes interessante", como tu fazes parecer tudo tão simples, gostaria de acreditar que será assim!

Cá voltarei!

Anónimo disse...

Os amigos não se escolhem; são-no e já o são há muito, provavelmente sem o saberem... Reconhecem-se! E quando isso acontece tudo é possível!