terça-feira, março 18, 2008

Dúvidas

Aquela imagem de uma lágrima cristalina à beira de um olho, acompanhou-o até se render ao cansaço e dormir.

Porque soltou ela aquela lágrima?

Por um motivo que nunca se preocupou explicar, ele é daquelas pessoas que se relacionam poeticamente com o mundo e que acham que só por ironia se pode chamar "pensamento livre" àquele que procura investir-se da verdade aparente das ciências exactas e dos raciocínios lógicos.
Ele deseja liberdade para o seu pensamento de uma forma impulsiva, para que seja “serpenteante” e “helicoidal”; para que “olhe” para trás e para a frente ao mesmo tempo; para que seja “horizontal” e “vertical” em simultâneo.
Por isso não distingue entre causas e efeitos quando o que está em causa é ela.
Por isso lhe dói ficar na incerteza de não saber se é alguma alegria que segura aquela lágrima para prolongar o seu prazer; ou se é alguma tristeza que anuncia que outras lágrimas virão.
Se se soubesse quão grande é a impotência que ele sente nesses momentos, o mundo encarregar-se-ia de dar cores diferentes a essas lágrimas.
Pelo menos isso!
E agora compreendo melhor, também, porque decidiu ele ser tão “transparente” para ela.
Se fosse um espelho talvez fosse imune: mas sendo como é, é atravessado pelo que vê e pelo que sente... sem qualquer disciplina.
No final de todos os dias, promete a si mesmo fazer um “projecto de disciplina”.
Mas assusta-o que apenas o consiga com a ausência da sua liberdade.
Ou que tome a liberdade de se ausentar.
Mas confia que aquele sorriso que fica entre parêntesis quando ela sorri, jamais o permitirá.

2 comentários:

alex disse...

muito bonito, este texto. uma declaração de amor das mais bonitas que já vi.

Anónimo disse...

Esperando que voltasses!
Sempre brincando com as palvras, como tu sabes fazer. Gostei deste nome, afinal tudo é uma questão de pele.
E vai continuar a ser! Obrigado por estares aí, obrigado por gostares de mim de forma incondicional, havemo-nos de encontrar
Gosto muito muito de ti ontem, hoje e para sempre.
Eu