Chegou às paredes dos edifícios de uma forma que pôs artistas, sociólogos, psicólogos a discutir sobre os limites da noção de arte urbana.
Os grafitos que antes davam conta dos amores de apaixonados alguns metros ao redor das escolas, foram suplantados por materiais de construção que permitiam inscrever nas empenas do edifícios, poemas inteiros por toda a cidade.
Graças a células fotovoltaicas e peças de porcelana com comportamentos mecânicos diferenciados consoante a temperatura e a incidência do Sol, a mesma parede podia revelar quase um livro inteiro de poemas.
As ruas passaram a ser uma espécie de bibliotecas especializadas em poesia, também ela especializada: no amor.
A última vez que o vi, ele estava divido.
Por um lado, feliz. Porque um gesto tão simples teve repercussões bem ao jeito de um "efeito borboleta". E que melhor expressão para descrever esta espécie de demência que chegou a todos e a todo o lado.
Por outro, triste. Havia sintomas claros de banalização do seu gesto. Ou se quiserem, as palavras passaram a valer -em muitos casos- mais do que os actos.
Ontem chegou mesmo a irritar-se.
Foi ao restaurante onde mais vezes vai. Pode dizer-se até que é um cliente habitual.
Mas esteve mais de uma hora à espera da sopa, porque o cozinheiro não deixava sair da cozinha um único prato de sopa que não fosse passada pela varinha mágica e tivesse por cima um poema escrito com letrinhas de massa.
Uma hora!
domingo, julho 20, 2008
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1 comentário:
nunca hay que magnificar las cosas.
Ellas deben ser tal como son y no dejar que nadie las distrorsione o agrande
saluditos
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