Por dois dias consecutivos ela apareceu-lhe em forma de anjo.
Na primeira vez, ela limitou-se a sentar-se ao seu lado num banco de jardim -recolhendo suavemente as suas asas pretas- e a conversar com ele sobre qual deveria ser a cor dos coelhos, sempre que eles se abraçam. Se deveria mudar ou não. Ela quis sentir o timbre da voz dele e ver o reflexo dos seus olhos nos olhos dele, quando ele fantasiava sobre histórias que só ele sabia imaginar. No fundo, queria saber se a sua ausência era motivo de alguma dor ou se ele mantinha a tranquilidade que um dia lhe tinha confessou ter por tê-la conhecido.
Antes de ir embora, voou à volta dele e criou uma almofada com os flocos de neve que caiam das árvores, para que ele encostasse a cabeça, pois tinha adormecido durante a conversa.
Ele estava cansado.
Na segunda vez, ela estava à espera que ele aparecesse.
Como já conhecia a nave espacial que ele costumava usar para se deslocar nos sonhos, ficou radiante ao vê-lo a aproximar-se. Sem que ele desse conta, ela recolheu outra vez as asas e ficou à espera que ele a abordasse.
Mas desta vez ele estava visivelmente triste, o que a inquietou bastante, pois faltava ainda muito tempo para que pudesse regressar.
Lembrou-se então que se o desafiasse a jogar o jogo do cubo gigante amarelo que eles inventaram um dia na praia, podia descobrir o motivo da sua tristeza.
Mas ele não se lembrava do jogo... e isso só podia acontecer se ele estivesse a ser consumido por saudades.
Quebrando então todas as regras, ela abraçou-o com as suas asas pretas e segredou-lhe ao ouvido...
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2 comentários:
Olá boa tarde,
obrigado pela sua visita.
Gostei do seu texto, um imenso convite ao sonho... faz falta no peso
escuro da vida.
Até breve
espero que en la proxima, nos uentes el segredo
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